Produção de Vinil


Os discos de vinil são cada vez mais uma das formas preferidas, pelos artistas, para produzirem o seu trabalho em formato físico. Muita desta preferência deve-se ao facto de os discos de vinil estarem cada vez mais em voga devido, principalmente, à nostalgia que levou a um aumento exponencial da procura.

Mas será que são conhecidos os requisitos para a produção de um disco de vinil com o melhor som possível?

Paulo Miranda, produtor discográfico, da AMP studio dá-nos os seus conselhos para que se possa usufruir ao máximo da produção de um disco de vinil.

Branditmusic: Quais são os cuidados que o artista deve ter para tirar melhor proveito do disco de vinil?

Paulo Miranda: Muitas vezes, o Master Digital que o cliente fornece para a matriz do vinil pode não soar bem por ter sibilância a mais ou agudos demasiadamente fortes e que são impossíveis de transcrever corretamente no “corte” da matriz. O Master Digital para um edição em vinil tem de ter certos cuidados que não são necessários para a replicação digital para CD que é bastante mais tolerante.

Branditmusic: Numa produção de vinil, quando o som está diferente do suposto e existe uma diferença nos agudos, o que podemos fazer?

Paulo Miranda: É natural que a exista alguma diferença. Se por um lado não podemos esperar que a superfície de um disco de vinil, com as suas “limitações técnicas” soe como um master digital, por outro, essas mesmas “limitações técnicas”, preferia designá-las antes por características, não podem ser um argumento para um exagero de perda de qualidade.

Branditmusic: Quais serão então as condições ideais para obtermos o melhor som possível na produção de um disco de vinil?

Paulo Miranda: A resposta de frequência de um disco de vinil deverá ser, mais ou menos linear até aos 15KHz. Diria que dá para ouvir agudos muito bons e claros, sem distorção, num disco com quase 20 minutos de cada lado com 33 RPM, naturalmente.

Branditmusic: O que podemos fazer se o tempo do disco ultrapassar o tempo sugerido?

Paulo Miranda: Se tiver muito tempo de cada lado, deverá ser necessário diminuir o volume de som e diminuir os graves ao fazer a matriz de prensagem. Neste caso, os agudos poderão distorcer mais nas espiras próximas do centro, mas isso não acontece por ter mais espiras, ou seja tempo. A verdade é que os agudos, tal como o volume, podem ser mais perfeitos num disco de 12” em 45 RPM. Num disco de 7” em 45 RPM, os agudos não são melhores do que num LP de 12” comum. Portanto, nesse caso, a rotação do disco não influencia em nada.